Nós podemos produzir carne a pasto em escala nos EUA? – Por Allen Williams

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Artigo de Allen Williams, presidente da Grass Fed Insights, LLC e produtor de carne a pasto em Mississippi.

Recentemente, tem surgido uma série de artigos publicados em importantes publicações agrícolas que tentam explicar os “mitos” por trás da carne bovina produzida a pasto.
Nesses artigos, afirmam-se que a carne produzida a pasto não tem nenhuma vantagem com relação à carne produzida com grãos em termos de valor nutritivo, que a produção de carne a pasto é mais prejudicial em termos de emissão de gases de efeito estufa (GEE) e que essa sempre será um nicho muito pequeno na produção de carne bovina dos Estados Unidos, porque nós simplesmente não podemos produzir carne a pasto em escala, assim como não há área suficiente para fazer isso.
Eu já falei sobre o valor nutritivo em um artigo publicado no começo do ano, mostrando que estudos científicos claramente afirmam os benefícios positivos da carne produzida a pasto em termos de importantes componentes nutricionais. Lidarei com a questão das emissões de GEE no futuro. Então, vamos falar sobre a questão de “não ter área suficiente”.
Há anos venho ouvindo repetidamente de muitas pessoas diferentes no setor de carne produzida com grãos, em universidades, dentro da equipe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e até mesmo de produtores de carne a pasto que podemos aumentar o mercado de carne a pasto somente de acordo com a produção doméstica, porque não temos espaço suficiente disponível para terminar o gado em escala.

Vamos avaliar os fatos. Primeiro, o que é preciso para terminar um animal a pasto? Para comparar maçãs com maçãs, precisamos definir a fase de terminação. Eu defino essa fase como aquela onde um animal parou com o crescimento significativo dos ossos e músculos e está em transição para a fase de engorda, com deposição de gordura nas costas, gordura intermuscular, gordura pélvica, no coração e nos rins (KPH) e marmoreio.
Isso começa em cerca de 800 libras (aproximadamente 360 quilos) em um animal de composição corporal moderada. Se quisermos que nossos animais sejam bem terminados, precisamos levá-lo a um peso médio de 1.200 libras (544 quilos). Assim, o ganho de 400 libras (180 kg) terá que ser na fase de terminação. Se um animal estiver ganhando modestas 2,1 libras (0,95 kg) por dia durante a fase de terminação, demorará 190 dias para ele ganhar peso suficiente e chegar aos 544 quilos.
Seu peso médio durante esses 190 dias será de 1.000 libras (454 quilos). Para alcançar ganhos médios mínimos diários de 2,1 libras, cada animal precisará consumir um mínimo de 3,2% de matéria seca (MS) de forragem do peso corpóreo por dia, o que se traduz em 32 libras (14,5 kg) de MS. Isso equivale a 6.080 libras (2757,83 kg) de MS de forragem consumida durante a fase de terminação, ou aproximadamente 3 toneladas.
Solos com perfis sanitários modestos ou melhores produzirão de três a oito toneladas de MS de forragem por acre, às vezes, mais. Isso significa que um acre (0,4 hectares) ou menos é necessário anualmente para terminar um novilho a pasto.
O principal obstáculo citado por muitos dentro e fora da indústria de carne bovina é que não há espaço suficiente nos Estados Unidos para terminar gado a pasto em números significativos. Vamos fazer uma análise.
Durante os últimos três a quatro anos, a produção de carne bovina com grãos nos Estados Unidos ficou em média em cerca de 29 milhões de cabeças anualmente, que é nossa oferta total de gado terminado com grãos para mercados doméstico e de exportação. Os números atuais de bovinos de corte não suportarão mais produção.
Quantos acres potenciais nós temos disponíveis nos Estados Unidos para terminar a pasto? Cada estado dentre os 48 inferiores tem, no mínimo, 200.000 acres (8000 hectares) não usados ou subutilizados de pastagem. Muitos estados têm um milhão ou mais de acres com esse tipo de pastagem. Esses acres não estão envolvidos em programas de conservação, como Conservation Reserve Program (CRP), não estão na produção agrícola, não estão na produção de cria ou recria e não estão em terras públicas. Eles são simplesmente áreas ociosas de pastagens.
Juntos, a estimativa mínima para pastagens ociosas nos Estados Unidos é de 15-20 milhões de acres (6 a 8 milhões de hectares). Em uma produção média anual de três toneladas de MS de forragem por acre, com manejo adequado do pasto e da forragem, essas áreas podem terminar pelo menos 10 milhões de cabeças de gado a pasto anualmente. Somente essas áreas ociosas podem produzir um terço da produção total de boi gordo dos Estados Unidos.
Depois, vamos considerar a área necessária para produzir milho, soja e trigo necessários para terminar gados em confinamento. Meu amigo, Jim Gerrish, consultor e ex-pesquisador de pastagem da Universidade de Missouri, avaliou a área dedicada às produção de alimentos para gado terminado com grãos.
Ele descobriu que 15% da produção total de milho tipicamente são usados para terminar 29 milhões de cabeças de gado engordados com grãos. Os outros 85% são usados para produzir ração e etanol.
O USDA estima que a área de produção de milho em 2016 será de 94,1 milhões de acres (38 milhões de hectares). Se pegássemos os 15% que atualmente são usados para produzir milho para terminar gado e fizéssemos a transição dessa área para pastagem para terminação de animais, teríamos aproximadamente 14 milhões de acres (5,7 milhões de hectares) disponíveis.
Uma regra básica diz que para cada 30 bushels de milho que um acre produzirá, esse acre produzirá uma tonelada de MS de forragem. O rendimento médio nacional de milho é de quase 170 bushels por acre, então, a produção média de forragem nessa mesma área seria de 5,7 toneladas de forragem anualmente – o suficiente para terminar 1,88 animais por acre (veja nota no final desse artigo).
A soja, o trigo e outros grãos menores também fazem parte das rações usadas em confinamento, com a produção de cerca de 3,5 milhões de acres (1,42 milhão de hectares) tipicamente requerida. Adicione esses 3,5 milhões de acres aos 14 milhões de acres do milho e teremos 17,5 milhões de acres (7 milhões de hectares) de terras que antes eram agrícolas disponíveis para a produção de gado terminado a pasto se não houvesse animais terminados com grãos em confinamento.
Com uma produção mínima de 5,7 toneladas de MS de forragem por acre anualmente, temos área suficiente para terminar 39,9 milhões de cabeças de gado em áreas com culturas agrícolas (17,5 milhões de acres vezes 1,88 novilhos por acre). Some isso com as 10 milhões de cabeças que podemos terminar anualmente nas terras ociosas e chegamos a 42,9 milhões de cabeças de gado engordadas a pasto . Isso excede a atual produção de boi gordo dos Estados Unidos em 13,9 milhões de cabeças.

Agora, vamos avaliar os mais de 20 milhões de acres (8 milhões de hectares) envolvidos no programa CRP do USDA no final de 2015. Se pegássemos apenas 30% dessa área e fizéssemos a transição para produção de carne a pasto, teríamos um adicional de 6 milhões de acres (2,4 milhões de hectares) de pasto disponível.
Estando na produção CRP, essa terra não seria tão produtiva incialmente. Se assumíssemos que essa área produziria apenas duas toneladas de MS de forragem anualmente poderíamos terminar 0,67 cabeças anualmente por acre, ou um total de 4 milhões de cabeças. Agora, chegamos a 33,5 milhões de acres e 46,9 milhões de cabeças de gado terminado a pasto anualmente.
Finalmente, Jim Gerrish estima que existem aproximadamente 12 milhões de acres de terra irrigada na região intermontanhosa dos Estados Unidos, uma área que compreende os estados de Nevada, Utah, Idaho, Montana, Wyoming, Oregon e Washington. Essa região irrigada produziria pelo menos cinco toneladas de MS de forragem anualmente.
Se pegássemos apenas 30% dessas aterras – 3,6 milhões – e fizéssemos a transição para produção de gado a pasto, poderíamos terminar mais 6 milhões de cabeças anualmente (3,6 milhões de acres vezes 1,67 cabeças/acre). Agora, temos 52,9 milhões de cabeças de gado terminados a pasto anualmente. Isso é 1,8 vezes a produção anual atual de gado terminado com grãos nos Estados Unidos.
Sim, fizemos a conta da diferença de peso nos dois sistemas, à medida que um novilho tipicamente terminado com grãos produz 1,2 vezes o peso da carcaça do novilho terminado a pasto. Um novilho típico terminado com grãos pesa, em média, 1.350 libras (612 quilos), com 64% de peso limpo, colocando o peso da carcaça em 864 libras (392 quilos). Um novilho bem terminado a pasto pesa 1.200 libras (544 kg) com aproveitamento de 59%, colocando seu peso em 708 libras (320 quilos). Essa é uma diferença de 156 libras (70,76 quilos) por cabeça.
Cerca de 34,8 milhões de gados terminados a pasto seriam necessários para igualar a produção de 29 milhões de cabeças de gado terminados com grãos. Isso ainda é bem menos que as 52,9 milhões de cabeças potenciais, conforme explicado cima (veja Nota 2).
Não há espaço suficiente para produzir gado terminado a pasto comercialmente nos Estados Unidos? Você é quem julga.
Nós vamos mudar 100% da produção de carne bovina dos Estados Unidos para produção a pasto? Não. Continuaremos produzindo volumes significantes de carne bovina de animais terminados com grãos.
Mas é um falso argumento que não podemos expandir de forma significativa a produção de carne a pasto nesse país. Vamos dizer que produzimos somente 15 milhões de animais terminados a pasto anualmente, com o restante da indústria permanecendo na terminação com grãos.
Nesse caso, precisaríamos de cerca de 10 milhões de acres (4 milhões de hectares) de pasto, ou aproximadamente um quarto dos mais de 37 milhões de acres de pastagem disponível para produção de proteína nos Estados Unidos que calculamos acima. Assim, há potencial para ter cerca de 27 milhões de acres disponíveis para expansão da produção de leite a pasto, além de pequenos ruminantes, suínos e aves.
É válido notar que ainda estamos aprendendo como construir um solo saudável, manejar a forragem e o pasto e ajustar a genética para uma terminação ótima a pasto. Viemos de um longo caminho nesse sentido nos últimos 15 anos, mas ainda temos coisas que precisamos aprender a fazer. À medida que aprendermos, poderemos nos tornar cada vez mais eficientes e eficazes na terminação a pasto. Temos que nos lembrar de que levou pelo menos duas décadas para que a indústria de confinamento acertasse seu passo.
Pense nas possibilidades. Pense no impacto que milhões de acres de produção a pasto a mais teria na economia rural e nas pequenas cidades dos Estados Unidos. A área está disponível. Nós só temos que usá-la com sabedoria.
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Nota 1: A US$ 4,00 por bushel, um acre de milho produzindo 170 bushels gera US$ 680 de receita bruta. O mesmo acre devotado à terminaçã a pasto geraria US$ 3.128 [(321 kg de peso carcaça/novilho X US$ 5,18/kg) X 1,88 animais/acre].
Nota 2: Tem se argumentado que a terminação com grãos é mais eficiente e que menos animais são, portanto, requeridos para produzir uma certa quantidade de carne bovina. Menos animais supostamente geram menos GEEs. Entretanto, há um importante buraco nesse argumento, que desenvolverei no futuro. De qualquer forma, é realmente de interesse dos produtores de carne bovina – e da agricultura como um todo – reduzir os números de animais e produtores? Quem de vocês desejaria sair do negócio de carne bovina simplesmente porque não precisamos mais de você?

Artigo de Allen Williams, presidente da Grass Fed Insights, LLC e produtor de carne a pasto em Mississippi, para o site https://grassfedexchange.com.

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Pequenos produtores de leite investem em tecnologia e conquistam bons resultados

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Segue o link do vídeo postado no site da Globo G1:

http://g1.globo.com/bahia/bahia-rural/videos/v/pequenos-produtores-de-leite-investem-em-tecnologia-e-conquistam-bons-resultados/5459802/

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DeLaval mais uma vez é premiada como a marca preferida dos produtores de leite

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Representantes de diversas empresas do agronegócio se reuniram na última sexta-feira, dia 04, na Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo, para entrega do Touro de Ouro.

Há 8 anos a Revista AG organiza a cerimônia de entrega do Touro de Ouro para premiar as melhores empresas do setor, a seleção acontece através de votação online e via cédulas onde os pecuaristas leitores e assinantes da revista escolhem suas empresas preferidas de acordo com cada categoria.

A DeLaval representada pela coordenadora de Marketing, Tatianna Dalossi, recebeu o troféu Touro de Ouro na categoria Equipamentos de Ordenha.

“Acreditamos que o produtor reconhece e confia nessa tradição da empresa, que possui mais de 130 anos no mercado, e está sempre buscando ser pioneira e trazer para as propriedades tecnologia de ponta para atender as principais necessidades e elevar o nível de profissionalização da pecuária de leite nacional”, comenta Tatianna pelo reconhecimento da DeLaval no Touro de Ouro 2016.

A Revista AG é uma publicação com 20 anos no mercado que leva conteúdo técnico de qualidade para os produtores rurais. São abordados mensalmente conteúdos relevantes sobre nutrição animal, genética, técnicas e tendências além de informações mercadológicas para os produtores.

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Preço do milho cai, mas frustra expectativa do confinador

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Fernando Saltão, responsável pela parte institucional da Assocon, entidade que representa os confinadores de gado, acredita que o confinamento deverá diminuir de 10% a 15% neste ano. Ele ressalva, no entanto, que esse número não é definitivo.

Um dos motivos principais da baixa se deve à continuidade dos preços altos do milho, alimento básico na alimentação do gado confinado. “Esperávamos uma queda maior na cotação da saca de milho com a entrada da 2ª safra do cereal. O preço caiu um pouco, mas não teve a intensidade esperada e frustrou alguns confinadores. Os de Goiás, por exemplo.”
A Assocon possui 85 associados. Em 2015, eles engordaram 700 mil cabeças. No Brasil como um todo o confinamento chegou a 5 milhões de animais.

O dirigente da Assocon disse que muitos pecuaristas fizeram opção pelo arraçoamento no pasto nas fazendas, o que torna o custo mais suave, apesar de exigir mais tempo para a engorda. Esse também é um dos motivos que tornam mais dificultosos o levantamento completo do confinamento na atual temporada.

Fonte: Globo Rural, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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